E o novo coronavírus chegou no Brasil! Estamos passando por uma crise sem precedentes. E então resolvemos fazer um episódio com o resumo das evidências do impacto do isolamento social realizado com o intuito de retardar a curva de contaminação da população para impedir o colapso do sistema de saúde. Todos em isolamento? Vamos então ver como nós psiquiatras podemos ajudar!

Em 2006 foi publicado o primeiro ensaio clínico de cetamina no tratamento de depressão refratária. Nos últimos 14 anos o número de estudos sobre o tema aumentou exponencialmente. Apesar dos achados promissores – alguns verdadeiramente bons demais – temos ainda alguma relutância quanto ao uso disseminado da cetamina e de seu derivado, a escetamina, no tratamento de pacientes com depressão. Os dados ainda são poucos, podem ocorrer efeitos dissociativos mesmo em doses baixas e o potencial para abuso e dependência não está claro.

No episódio número 37 do PQU Podcast apresentamos e discutimos um artigo clássico intitulado “On being sane in insane places”, e não pegamos leve nas críticas! Um livro recém lançado, “The great pretender”, não apenas confirma nossas desconfianças como desmascara uma das maiores fraudes da história da psiquiatria e psicologia.

Nesse episódio do PQU Podcast apresento revisão sobre diagnóstico e tratamento de depressão refratária, ressaltando que denominar um quadro de refratário implica em duplo diagnóstico: do transtorno e da refratariedade. Dependendo da definição utilizada, a depressão refratária ou resistente ao tratamento acomete até 30% dos pacientes com depressão. Mesmo esses casos de difícil manejo podem remitir com tratamento sequencial particularizado realizado de acordo com as evidências disponíveis, sem invencionices.

Já faz algum tempo que o Vinícius e eu denominamos de conjunto mente-cérebro à dupla dinâmica e indissociável formada pela mente, pelo cérebro e pelo fosso existente entre eles. Nesse episódio conversamos sobre a proposta de Thomas Fuchs, professor catedrático da clínica psiquiátrica da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, sobre o desenvolvimento e as funções do cérebro, apresentadas no livro “Ecology of the brain”, de 2018. Ele diz que a fenomenologia é a via para compreensão da singularidade de cada indivíduo, mas incorpora nessa visão os conhecimentos derivados dos avanços da neurociência.

José Alexandre Crippa é psiquiatra, Professor Titular de Psiquiatria do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo; Coordenador dos serviços de Ansiedade; Psicogeriatria e Interconsulta em Saúde Mental do Hospital das Clinicas e pesquisador de produtividade em pesquisa do CNPq (nível 1A). Suas principais linhas de pesquisa são: efeitos terapêuticos de canabinóides, ansiedade social, instrumentos de avaliação em psiquiatria e interconsulta psiquiátrica. A conversa com ele foi muito agradável e, como sempre, enriquecedora.