Ao longo da história da psiquiatria, observa-se oscilação entre uma visão biológica e outra mentalista das doenças mentais. Existe na nossa especialidade esse movimento pendular entre duas formulações aparentemente antitéticas: de um lado, a crença de que a origem dos transtornos psiquiátricos é exclusivamente mental (uma psiquiatria sem cérebro), e, do outro, de que seria puramente cerebral (uma psiquiatria sem mente). Será possível um meio-termo? Acreditamos que sim.
Como na milenar parábola dos cegos que tentam decifrar as formas de um elefante, nós tentamos, a partir de diversas disciplinas distintas, entender toda a complexidade do transtorno depressivo maior e seu tratamento. O psiquiatra e pesquisador Charles Nemeroff escreveu uma revisão sobre o assunto, e é isto que vou apesentar e comentar para você neste episódio do PQU Podcast!
Em 2009, O NIMH, National Institute of Mental Health, o instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, lançou o RDoC, abreviação de Research Domains Criteria, como uma maneira de organizar a pesquisa básica em neurociência com a pretensão de fundamentar novo sistema de diagnóstico em psiquiatria. Nesse episódio do PQU Podcast apresento o RDoC para, a seguir, criticá-lo e dar nossa opinião sobre o assunto.
Significância estatística e relevância clínica se referem a dois aspectos complementares da pesquisa biomédica. O primeiro tem a ver com a confiabilidade dos achados. O segundo com sua importância para a prática clínica. Existem resultados que são estatisticamente significativos e clinicamente relevantes. Há também os que têm relevância clínica, mas não significância estatística. A avaliação da relevância clínica dos resultados estatisticamente significativos da pesquisa é crucial para que se faça a transferência de conhecimento da pesquisa para a prática clínica.
É crescente o consumo de medicamentos psicoestimulantes, aprovados e usados no tratamento de casos de TDAH e de sonolência excessiva, como forma de potencialização cognitiva. Não somos adeptos e nem aprovamos essa prática pela falta de evidências científicas que a subsidiem, pelos riscos nela embutidos e por motivos éticos que serão abordados nessa nossa conversa.

Em 2006 foi publicado o primeiro ensaio clínico de cetamina no tratamento de depressão refratária. Nos últimos 14 anos o número de estudos sobre o tema aumentou exponencialmente. Apesar dos achados promissores – alguns verdadeiramente bons demais – temos ainda alguma relutância quanto ao uso disseminado da cetamina e de seu derivado, a escetamina, no tratamento de pacientes com depressão. Os dados ainda são poucos, podem ocorrer efeitos dissociativos mesmo em doses baixas e o potencial para abuso e dependência não está claro.

Nesse episódio do PQU Podcast abordamos um tema sempre presente quando se prescreve medicamentos. Conversamos sobre medicamentos de referência, similares e genéricos. Nosso objetivo é fornecer informações que possam ser úteis no entendimento da questão, necessário para um posicionamento mais fundamentado e orientação dos pacientes.