Nesse episódio apresento e comento a segunda edição do livro “The perspectives of psychiatry”, de Paul McHugh e Phillip Slavney, professores da Johns Hopkins School of Medicine, de 1998. Sua proposta pluralista para a psiquiatria, inspirada na fenomenologia de Karl Jaspers, é considerada muito válida por conta do rigor metodológico com que trata as observações; de seu ecumenismo, desapegada de correntes ou partidos científicos; e do ceticismo necessário para se lidar com propostas simplistas para problemas complexos.

A psicoterapia interpessoal é uma abordagem psicoterápica breve que visa aliviar o sofrimento causado pelo transtorno mental e melhorar o funcionamento interpessoal do paciente. Seu foco específico é nos relacionamentos interpessoais, com o objetivo de ajudar o paciente a melhorá-los, mudar suas expectativas a respeito deles e auxiliá-lo a incrementar seu suporte social. Ela é uma das poucas abordagens psicoterápicas submetidas à validação da eficácia em ensaios clínicos controlados, inclusive em combinação com tratamento medicamentoso.

Raciocínio clínico é o que faz o médico com as informações obtidas da anamnese do paciente realizada com interesse e método para compreender o conjunto de queixas e a cronologia do quadro clínico que ele apresenta. O conhecimento teórico, a experiência, a entrevista psiquiátrica e a relação médico-paciente subsidiam o raciocínio clínico do psiquiatra. Ele, o raciocínio clínico, por sua vez, conduzirá ao diagnóstico passando pela formulação de caso.

Não foram poucas as contribuições da psicanálise para a prática médica em geral, e psiquiátrica em particular, especificamente nas questões relacionadas à relação médico-paciente. Destaco alguns conceitos psicanalíticos que ilustram essa contribuição: inconsciente, singularidade do indivíduo, transferência, contratransferência, resistência e aliança terapêutica.
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